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Bancários denunciam HSBC por violação de privacidade

Quinta-feira, 19 de julho de 2012

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Segundo denúncia do Sindicato dos Bancários, o banco mantinha um dossiê com informações detalhadas sobre 164 funcionários afastados por motivo de saúde

O banco HSBC está sendo acusado de violar a privacidade de funcionários afastados por motivos de saúde. A denúncia foi apresentada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) pelo Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, que afirma existirem dossiês, em posse do HSBC, com informações detalhadas sobre a vida de 164 trabalhadores.

A denúncia se tornou pública nesta quarta-feira (18), durante coletiva de imprensa convocada pelo sindicado, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pela Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Estado do Paraná (Fetec-PR).

Os dossiês conteriam informações de bancários do Paraná, a maioria de Curitiba, e dos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Segundo a denúncia, o banco contratou uma empresa especializada em investigação confidencial para verificar se essas pessoas estavam realmente doentes e se tinham outra fonte de renda, para reunir provas caso os bancários entrassem com ação na Justiça contra o HSBC.

Os documentos contariam com 18 horas de gravação, além de fotos, inclusive das lixeiras dos bancários. “A forma como a vida dessas pessoas foi vasculhada é absurda, inclusive mexendo em lixo para ver o tipo de alimentação, de bebidas e medicamentos que elas consumiam”, disse o presidente do sindicato, Otávio Dias, em entrevista por telefone.

As pessoas investigadas tiveram antecedentes criminais levantados e sigilo bancário quebrado, inclusive de outros bancos, para verificação de saldo e tipo de movimentação, segundo a denúncia. Uma pessoa que se passava por vendedor de produtos também teria sido enviada à casa dos trabalhadores afastados para colher mais informações.

O sindicato diz que recebeu uma caixa com 164 dossiês sobre os funcionários afastados, por meio de uma denúncia anônima, em 2011. Em julho do ano passado, os documentos foram encaminhados ao MPT. “Recebemos essa denúncia ano passado, e, tamanha foi a nossa indignação e perplexidade sobre o assunto, que, de imediato, levamos [a denúncia] para que o Ministério Público apurasse os fatos”, disse Dias.

O Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região afirma que ainda vai apresentar uma denúncia à Organização Nacional do Trabalho (ONT) e vai dar andamento a um processo por dano individual, que vai correr além da ação por danos morais coletivos movida pelo Ministério Público.

De acordo com a assessoria de comunicação da Procuradoria Regional do Trabalho da 9ª Região (PRT-9), foi instaurado um procedimento investigatóriocom base nas denúncias e o caso está sob responsabilidade do procurador do MPT Umberto Mussi de Albuquerque.

Segundo a assessoria, as investigações estão em andamento e "várias testemunhas" já foram ouvidas mas, como o processo corre em sigilo por envolver a intimidade dos trabalhadores, o procurador não pode dar entrevista sobre o caso.

Segundo a assessoria, se comprovada a veracidade das denúncias, o MPT pode propor ao banco um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ou pode propor uma ação civil pública da Justiça do Trabalho.

Outro lado

Por meio de nota, o banco HSBC declarou: "Sobre as acusações do Sindicato dos Bancários de Curitiba sobre investigações entre 1999 e 2002 , o HSBC Bank Brasil informa, por meio da assessoria de imprensa, que este caso ainda está em trâmite judicial e que, por esse motivo, prefere não se pronunciar a respeito."

Fonte: gazeta

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