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Mas Bah, Tch!

O gauchs que une geraes migra para a Capital na Semana Farroupilha

Quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Última Modificação: 05/11/2018 14:04:03

O linguajar típico campeiro, que é transmitido de pai para filho, é a principal marca dos gaúchos


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Se te chamarem de "jaguara", cuidado, porque boa coisa não é. Mas se você for tratado como "quera", a história é outra: fique feliz, pois você está sendo elogiado. 

Expressões típicas da cultura campeira migram para a Capital no mês de setembro e podem causar confusão na cabeça dos metropolitanos que visitam o parque. 

A cobradora Zair Fagundes, que o ano passado foi responsável por uma oficina de expressões gaudérias no piquete da Carris, explica por que a característica mais marcante das expressões gauchescas é a rusticidade. 

— O povo do Interior muitas vezes não teve formação escolar, por isso, acaba tendo uma fala mais rústica, informal. Muita gente na cidade copia este estilo, para manter a tradição — diz Zair. 

Mas não venha chamar o bah, o tchê, o tri e o oigalê de gírias, que pode ser até ofensa. Segundo a estudiosa, o gauchês é um dialeto do português falado não apenas no Rio Grande do Sul, mas também em parte do Paraná e de Santa Catarina. As influências mais fortes são do alemão e do italiano, por força da colonização, além do espanhol e do guarani, especialmente nas áreas próximas à fronteira com o Uruguai.

Não precisa nem ser gaúcho de nascimento para aderir ao linguajar. Nascido no Ceará e filho de militar gaúcho, Leonardo Menezes, 15 anos, teve de comprovar conhecimentos teóricos e práticos em "gauchismo" para ser aprovado como 1º Peão do Acampamento Farroupilha, um cargo equivalente ao da 1ª Prenda. 

— Isso se traz de casa, é algo que os mais velhos gostam de passar para nós — diz o guri. 

Embora já tenha morado em pelo menos três Estados diferentes, é no Rio Grande do Sul que ele encontra e cultiva as tradições. O linguajar é a principal marca que faz questão de manter. 

— Até pelo tom de falar dá para saber de onde é o vivente — complementa o poeta e repentista Albeni Carmo de Oliveira, que traz no sotaque pampeano sua identidade. 

Natural da Fronteira, ele afirma que o dialeto gaúcho é a expressão da cultura que os filhos herdam dos pais e que procuram reproduzir em seu ambiente para preservar e mostrar as origens. No caso de Albeni, serve também como ofício, já que ganha a vida com declamações, pajeadas e locuções em eventos carregados de expressões campeiras.

Enquanto solta um "pichorra", faz graça para uma moça que passa, elogiando sua beleza e educação, sem que a moça sequer perceba o que ele está falando. Ainda bem que é elogio!

Confira o vocabulário gaudério:

Aspa = chifre 
Bochincho = festa informal 
Carpim = meia de homem 
Chinoca = guria que se pilcha de bota e bombacha em vez do vestido de prenda Chinaredo = bordel, onde ficam as chinas 
Corpinho = sutiã 
Cupincha = camarada, companheiro, amigo 
Esgualepado, judiado = machucado, sem forças, acabado 
Fatiota = terno 
Folhinha = calendário 
Guaipeca = cachorro viralata 
Macanudo = sujeito forte, respeitável, talentoso 
Melena = cabelo 
Pechada = batida, trombada (entre automóveis) 
Talagaço = golpe 
Vivente = criatura viva, pessoa, indivíduo 
Xirú = índio ou caboclo. Na língua tupi quer dizer "meu companheiro" 
Quera = homem, gaúcho, gaudério

ZERO HORA

Fonte: Clicrbs

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